Coimbra, Muito Mais Que Uma Cidade

Artigo de opinião de Graça Simões, nossa cabeça de lista à Assembleia Municipal de Coimbra, na edição de 20-7-2017 do Jornal As Beiras. Digitalização disponível aqui.

É consensual que Coimbra mirrou e não responde aos desejos de futuro das suas gentes. Todos sabemos da diáspora dos mais jovens e todos ouvimos os desabafos desalentados nas nossas conversas. Mas o ponto de partida e de referência é sempre ancorado num passado de grandeza, mais mítico do que real. E lá vem a chorada perda de terceira cidade do País!

Não. A Cidade precisa de rejuvenescer e de ganhar qualidade de pólis, mas não motivada por qualquer sentimento pequeno de se fazer grande ao pé das outras. A Cidade precisa de ser mais bonita, mais culta e rica, mas porque tal se ancora numa ideia nova de desenvolvimento, assente numa relação mais inteligente e respeitadora entre território e pessoas. Se a cidade se construiu sobre a diferenciação com o meio rural, hoje não faz sentido essa fratura. 

Coimbra, cidade, está no centro de um território, o Concelho, que tem tudo para ser exemplar neste caminho novo. Diverso, rico, próximo. A recente tragédia dos fogos veio abanar um tanto a consciência dos imensos erros cometidos na relação com a terra. A lógica avara de lucro fácil e o desprezo pelo rural ditaram um empobrecimento profundo, material e humano. O nosso Concelho partilha deste erro matricial, que deve, de imediato, ser corrigido. E isto faz-se, antes de mais, com políticas e a participação ativa dos cidadãos. 

Por onde começar? Na perspetiva do CPC, com um maior protagonismo das freguesias, orientadas pelos seus órgãos representativos – a Assembleia e a Junta de Freguesia. As suas competências e autonomia financeira são reduzidas e as táticas de competição por migalhas sublinham a relação de subserviência em relação à Câmara Municipal, que aparece em bloco em dias de festa e inaugurações para receber os agradecimentos. Portanto, uma melhor distribuição dos recursos é um bom ponto de partida. Mas também uma maior articulação e cooperação entre os órgãos municipais e os da freguesia, deslocando o foco da ação do interesse partidário para o interesse público. Independentemente da maior ou menor competência pessoal dos executivos, é preciso um modelo regulatório que o garanta. E não basta o assento dos Presidentes de Junta na Assembleia Municipal. É preciso chegar às pessoas e fazê-las sentir parte do todo – nos problemas e nas soluções.

Sou da freguesia de Almalaguês. E vejo as matas e os campos abandonados, os eucaliptos a alastrar. E vejo as ribeiras entulhadas e inutilizadas, os canais de rega obstruídos. E vejo as múltiplas possibilidades de renovar a relação de produção e de usufruto desta natureza, numa sinergia sustentável e sustentadora de mais qualidade de vida. O que não vejo é um poder autárquico preparado para fomentar essa construção, assumindo que Coimbra não se esgota no centro urbano ou periurbano e que uma forma de o engrandecer é investir em todo o seu manto territorial. 

Entre os que ficam acomodados em quotidianos conformados, e os que saem incompletos na identidade, agregam-se os que resistem e perspetivam caminhos de emancipação, pela ignição de um movimento novo e alternativo de pensamento e ação, determinado a envolver todos os inconformados. 

E este é o Movimento Cidadãos por Coimbra.

 

Coimbra, 20 de Julho 2017

Graça Simões

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s