Intervenção CPC na Assembleia Municipal de Coimbra: Análise ao Relatório de Gestão dos SMTUC

Hoje, o Movimento Cidadãos por Coimbra assistiu à declaração de renúncia imediata do mandato dos deputados eleitos em 2013 pelo Movimento, José Reis e José António Bandeirinha, bem como à renúncia do mandato de deputado no final da assembleia de hoje por Rui Pato. Na sequência destas demissões, a Mesa da Assembleia Municipal procedeu à substituição imediata dos dois primeiros pelos novos deputados Clara Moura e José João Lucas, que de pronto foram investidos nas funções. O texto abaixo transcrito reflete a primeira intervenção do CPC na Assembleia Municipal de hoje, pela voz de Clara Lourenço:

 

Senhor Presidente e Mesa da Assembleia,
Senhor Presidente da Câmara Municipal,
Senhoras e senhores vereadores,
Senhoras deputadas e senhores deputados,
Cidadãs e cidadãos

O Relatório de Gestão dos SMTUC merece-nos algumas reflexões de base, que a todos deveria preocupar. Estamos perante uma situação de:

  • contínua e sistemática perda de passageiros – nos últimos 10 anos os SMTUC perderam mais de 14 mil passageiros (53,3%); A taxa de ocupação global desceu de 20% para 11,2%; Os passes sociais registam uma quebra de mais de 60%.
  • A receita apresenta-se em plano inclinado há vários anos com um resultado líquido negativo que ascende a 164 mil euros.

Importa, pois, que se proceda a uma reflexão mais profunda, quer no diagnóstico, quer na procura de soluções para este problema, pois que, a prazo, é a própria viabilidade da empresa municipal que pode estar em causa, com tudo o que de negativo pode significar para a cidade. Os transportes públicos municipais constituem um eixo vital para a vida da cidade e para a mobilidade urbana.

A análise de alguns indicadores do relatório de gestão, revela dados interessantes que nos ajudam a compreender melhor a situação de crescente degradação da qualidade dos serviços prestados quer internamente, quer externamente para o público.

Concretizando, a oferta da rede geral de transportes urbanos mantém-se a mesma de há 10 anos atrás. A frota urbana pouco se renovou, tendo uma idade média de mais de 16 anos. Esta situação reflete-se de forma bastante evidente na operacionalidade da frota. A taxa de imobilização passou de 4,6% em 2006 para 17,6% em 2016, quase triplicando. A este facto não será alheia a situação dos recursos humanos dos SMTUC.

Hoje a empresa tem menos 56 trabalhadores que há 10 anos atrás. As consequências estão bem plasmadas no Relatório de Gestão e ajudam a explicar a alta taxa de imobilização que atualmente se verifica. É notória a progressiva degradação dos serviços de manutenção da frota urbana. Os indicadores relativos à manutenção preventiva da frota, incluindo revisões, lubrificações e grande manutenção, sofrem quebras na ordem dos 40%. Esta degradação não pode deixar de se refletir nos serviços prestados, avarias, atrasos nos horários, manchas horárias sem transportes assegurados, tudo contribui para a falta de fiabilidade e atratividade dos serviços de transporte urbanos. Urge inverter esta situação que ameaça chegar a um ponto de não retorno. Há que fazer um esforço de contratação de mais pessoal, onde faz falta. Os 21 trabalhadores que se anunciam como novas admissões contratuais, tememos que sejam manifestamente insuficientes.

A elevada taxa de motorização individual, com recurso a viatura própria é, em Coimbra, muito elevada, com todas as consequências negativas que acarreta para a qualidade de vida e mobilidade na cidade (poluição, ruído, estacionamento e congestionamento do trânsito), porém não justifica tudo.

Não havendo soluções milagrosas, há, no entanto, que encarar o problema com determinação.

Alguns dos principais eixos de uma intervenção que inverta a situação passarão pela necessidade de melhorar a fiabilidade dos serviços de transportes urbanos, melhorando a oferta; modernizando a frota; estudando a possibilidade de criar mais “corredores Bus” que possam garantir um aumento da velocidade de circulação.

Uma medida que se revelou correta no que toca aos transportes escolares que baixou de 3 para 2Km a distância mínima para acesso dos jovens estudantes aos mesmos, segundo os próprios dados do Relatório traduziu-se num aumento significativo de passageiros. Deveria ser considerada a possibilidade de conceder passes escolares a todos os estudantes, independentemente da distância a que se encontram da escola. Teríamos muito a ganhar. E, deveria começar-se, desde logo, pelo incentivo pedagógico à utilização dos transportes públicos.

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2 comentários

  • Parece-me uma grande intervenção e com verdades que embaraçam toda uma gestão dos transportes públicos em Coimbra.É preciso que as pessoas lutem por alternativas a esta “paz podre” que se instalou nesta cidade em que as pessoas aceitam pacificamente que o seus problemas de transporte para as escolas e para o trabalho não têm solução.

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