Uma Candidatura Aberta

O texto abaixo transcrito foi dirigido aos aderentes do Movimento presentes no Plenário Eleitoral Intercalar de 9 de Abril 2017 como apresentação da única candidatura à Direção do Movimento. Publicamos aqui o texto na íntegra para que todos os que não puderam estar presentes tenham dele conhecimento.

SOMOS UMA CANDIDATURA ABERTA …

…Que foi construída no seio de um grupo alargado de pessoas que se juntou com a emergência de garantir continuidade ao CPC, discordando da lógica de subvalorização das nossas forças e de sobrevalorização das alheias e quando se percebeu que havia um flanco que desistia e renunciava a princípios basilares, numa estratégia de construção demagógica e artificiosa de um ambiente de vitimização de alguns e de dissensão entre todos. De repente, estávamos envoltos em sentimentos de desistência e de abandono que colocavam de facto em sério risco a sobrevivência do Movimento, tornando-o inoperacional e projetando uma imagem de desnorte, com impacto muito negativo nos que nos foram seguindo com esperança.

Que fique bem claro e seja inquestionável que estas pessoas não se juntaram contra nada nem ninguém, apenas a favor, repetimos, da continuidade e renovação do CPC. E que é nisso que acreditam, cientes de todas as dificuldades.

Apesar de todos e todas acharmos que o início do processo de construção das nossas candidaturas autárquicas para o próximo outono não foi bem conduzido e que criou algumas fraturas, seguramente inesperadas e dolorosas para a maior parte de nós, nós assumimos, com a apresentação desta lista candidata à direção do Movimento Cidadãos por Coimbra, que tudo faremos para retomar o caminho anterior de dedicação à causa pública, que foi a nossa marca nos últimos 4 anos.

Empenhar-nos-emos em reparar essas fraturas e em abrir caminhos de convergência que, sem anularem as nossas diferenças, agora mais clarificadas, permitam um contínuo debate, aberto e profundo, sobre um rumo estratégico para o nosso concelho e a nossa cidade e que não dispensem ninguém que se disponibilize para apresentar ao coletivo do Movimento os seus contributos informados e refletidos. Entendemos que ninguém está a mais e que todos e todas temos aqui o nosso lugar.

Esta situação de emergência, que queremos reverter rapidamente, necessita, assim, de um apoio muito genuíno e muito generoso de todas e todos vós. Esse é mesmo o ingrediente fundamental, o fermento da nossa força e do nosso sucesso.

Da nossa parte, tudo queremos fazer para manter viva a possibilidade e o sonho, como referiu um camarada no plenário anterior, incluindo o aceitar com serenidade as reações inesperadas e pouco respeitosas que vão circulando e poluindo o nosso ambiente. Não nos incomoda a moldura de “pequenino” em que nos quiseram projetar, porque acreditamos que a grandeza e a notabilidade estão na coerência, na transparência e na disponibilidade desinteressada, de cada um e do coletivo, para lutar pelas causas que, pelos vistos, ainda são as de todos.

O que queremos então é conseguir uma direção focalizada num programa exigente que não sirva apenas objetivos eleitorais, mas que mantenha a matriz de intervenção cívica e de incentivo à participação alargada, tanto dentro do movimento, como nas comunidades em geral. Uma das formas de alargamento à participação é continuar a incluir todos os eleitos nas reuniões da Direção, dando-lhes paridade na palavra e na construção das decisões.

O que queremos também é uma Direção coesa, solidária, trabalhando para a unidade a partir da diversidade, que é notória e propositada.

Na sua composição, procurou-se minimizar a cisão e assegurar a continuidade, mantendo as pessoas que nunca desistiram da função na qual tinham sido investidas – Eu, a Catarina Martins, o José João e o TóZé André- , inserindo as pessoas já antes cooptadas para a direção executiva- o Zé Vieira e o Alexandre -, revalorizando pessoas que estiveram na origem do Movimento e outras que sempre colaboraram ativamente no seu programa e ação – o Zé Dias, o Carlos, o Vitor, a Berta, a Neise, a Natércia, a Sílvia e a Helena.

Respeitou naturalmente a paridade sempre defendida pelo CPC e investiu em algum rejuvenescimento da equipa.

O que acreditamos é que temos “capital social e político” acumulado neste mandato que não podemos desperdiçar e muita gente que não podemos desiludir.

Dizem-nos – e é objetivamente verdade – que o movimento não cresceu de forma expressiva para fazer frente a um contexto mais exigente e complexo nestas eleições. De facto o número de aderentes não aumentou muito, mas essa é uma das linhas de ação em aberto, porque com a boa imagem e a ação concreta da construção da candidatura, nomeadamente a recolha de assinaturas, podemos trazer mais e bons aderentes, pessoas comuns que já fazem ou querem fazer diferença no bem estar das suas comunidades. E depois, não podemos contar apenas com os aderentes para medir forças, mas também com os muitos simpatizantes e votantes que depositaram confiança e esperança neste projeto, que não foi em vão, nem menor nos seus efeitos, logo com a mesma potencialidade mobilizadora.

E depois, também não podemos deixar de destacar que alguns bons aderentes têm chegado já e se têm mantido próximos e prontos para o que for preciso. Isso também nos investe na razão e no coração para continuarmos aqui.

Acreditamos, pois, que vale a pena este empenho e compromisso na dinamização do CPC, como verdadeiro movimento cívico independente, composto por cidadãos que se agregam não por serem ou não serem de partidos, mas por se identificarem com um território e com a ideia concreta que poderão contribuir para o resgatar dos desmandos continuados que o têm mirrado e impedido de ser um lugar de todos e para todos.

Em relação ao seu programa de ação, podemos declarar que:

– não cederemos às estratégias desenvolvidas em circuito fechado, por mais bem intencionadas que tivessem sido, apostando na comunicação e nos encontros abertos de cidadãos;

– sem desvalorizar a importância da boa escolha dos porta-vozes para atingir força estratégica, trabalharemos em candidaturas globais que mobilizem vontades e capacidades;

– aos anseios de poder certo nas decisões, preferimos construir opinião sustentada e incontornável no processo de decisão, a partir de um programa com propostas pertinentes e articuladas;

– ao cansaço e desistência perante o modo autoritário e estreito da governação local, queremos responder com resistência, defesa tenaz e respeito absoluto pelas regras democráticas;

– à preocupação de destaque com os órgãos concelhios, de maior visibilidade e aparente impacto nas políticas públicas, contrapomos a importância que damos às freguesias e à diferença discreta, mas decisiva, dos posicionamentos informados e formados na cidadania participativa;

– à sedução das estratégias políticas calculistas e dominantes, preferimos manter o sonho de um modo alternativo de política, mais próximo dos cidadãos e mais comprometido com o interesse público.

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