DEMOCRACIA: QUE FUTURO? – o debate

O pretexto era e foi o lançamento de um livro organizado por André Freire, intitulado “O futuro da democracia política”, mas o questionamento foi muito além do habitual num evento deste tipo. A organização do CPC e as intervenções de Augusto Ferreira da Silva, Coordenador do Movimento, e de Elísio Estanque, cidadão assumido do mesmo, partiram do exemplo de Coimbra e deste Movimento Cívico para fazer a ponte com os desafios da democracia hoje, a nível global, como discutidos nos textos académicos do livro apresentado por André Freire, mas também a nível local, como exemplificados por José Augusto Ferreira da Silva.
Maria do Rosário Gama e Manuel Carvalho da Silva centraram os seus discursos na questão dos direitos humanos e na necessidade da participação cidadã organizada, como os sindicatos ou as associações setoriais, como caminhos para o que Elísio Estanque apelidou de corrosão da democracia, com risco do seu atrofiamento e implosão.
O livro, apesar de juntar autores com diferentes perspetivas, veicula, segundo o organizador, um ponto de vista comum – a crença de que há alternativas para resolver a crise caracterizada como uma dupla retirada: dos eleitores e das elites ou partidos políticos, traduzidos numa oligarquização do sistema, que deixa abertas as portas para o caminho mais temido pelos que entendem a democracia como a construção de uma sociedade mais igual e livre.
Carvalho da Silva lembrou o desafio de José Saramago para a construção de uma “Carta Universal dos Deveres Humanos” e apontou a necessidade o princípio do universalismo nas visões e nas soluções, mas também a igualdade soberana dos países. No centro das respostas, é muito veemente na focalização no valor do trabalho, como direito, com valor económico, mas sobretudo com valor social. Neste sentido, lembrou que é tão importante o trabalho como o “não trabalho”.

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As várias intervenções da assistência acentuaram a controvérsia do tema, sobretudo pensando em União Europeia, um dos temas centrais do livro. Para Carvalho da Silva é preciso pensar caminhos, seja dentro do sistema, seja em atitudes “de desobediência”, como referiu um dos intervenientes, mas sempre evitando o desastre.

Ainda que com todas as dificuldades em cenário real e em leituras teóricas, podemos concluir que há acordo na necessidade de acordo em torno de alguns princípios e conteúdos universais, como o contrariar de todas as tendências populistas de direita e o afastar de soluções totalitárias.
Quanto a nós, cidadãos ativos da comunidade, temos sempre a alternativa de insistir nas boas soluções locais e apostar na ampliação da informação e da participação. Apesar de tudo, todos concordam que há uma diferença clara nas dinâmicas políticas locais com a contribuição do CPC. O futuro da democracia passará sempre pela sua prática quotidiana, nos círculos próximos das relações de poder.

 

 

Graça Simões

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