Coimbra, a NOSSA cidade

Concidadãos e concidadãs,

dirijo-me a todos aqueles e todas aquelas que ainda fazem de Coimbra uma causa pela qual lutar, que ainda acreditam no que é evidente,

APESAR DE TUDO O QUE TEM SOFRIDO, COIMBRA AINDA CONSEGUE SER UMA CIDADE, PELO MENOS NO SENTIDO FÍSICO DO TERMO.

Não é um subúrbio desqualificado.

Ao contrário do que muito pensamento elitista e hegemónico-populista quer fazer crer, lutar pelo entendimento de Coimbra como uma cidade é um acto político que se reveste de uma relevância fulcral.

Uma cidade, no mundo contemporâneo dominado pela suburbanização genérica e pela cultura globalizante, é um bem político inestimável (não só patrimonial, como nos querem insistentemente convencer). A situação geo-política no plano europeu (e também, como é bom de ver, no plano global) é, simultaneamente, uma causa e uma consequência deste envolvimento social e cultural predominantemente suburbano.

Mas, para além do mais, Coimbra é a NOSSA cidade. É o locus dos nossos afectos.

Esta é a principal razão pela qual eu, apesar de não poder estar presente nestas jornadas autárquicas, me dirijo a todas/os a vós.

Agradeço desde já a atenção de quem me ouve e agradeço muito especialmente ao meu companheiro Pedro Rodrigues a leitura deste texto em meu nome.

Tomando como referência o biénio de 2012-2013, quando foi forjada a decisão de nos candidatarmos a esta empresa em prol da dignificação de Coimbra, eu diria que, como já era esperado, a situação é bem pior. Ou seja, lutar hoje é ainda mais necessário que há quatro anos atrás.

Mas, apesar dessa imperiosa necessidade política, devo dizer-vos que não é sem uma ponta de mágoa que observo a situação contemporânea. Não por esperar mais reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por nós nos órgãos autárquicos. Não. A mágoa que me atormenta diz respeito à apatia geral face à situação desesperante em que se encontra a cidade de Coimbra. Para além do trabalho desenvolvido pelo CpC, a diversos níveis, não só nos órgãos autárquicos, para além do trabalho intenso e quotidiano desenvolvido pelo Vereador José Augusto Ferreira da Silva junto do executivo, a restante cidade está acomodada á mediocridade mais insultuosa. A crítica praticamente não existe, o status quo navega à vontade pelos territórios da sua própria incompetência.

Há quem grite aos quatro ventos que somos elitistas, que as nossas propostas não são acessíveis ao “Povo”, coitadinho…

Referindo-me em exclusivo, e por falta de tempo, a uma matéria importante (e latente) da nossa actividade política recente, a autodenominada “Via Central”, o que eu tenho a dizer-vos (e que não vincula mais ninguém dentro e fora do Movimento) é a coisa mais simples e mais sintética que pode haver.

A intervenção nos terrenos do Bota-Abaixo é uma operação urbana que se reveste de uma dimensão estratégica incomensurável, quer para a cidade como um todo, quer para a Baixa.

Mas, também por isso mesmo, a intervenção nos terrenos do Bota-Abaixo é uma operação urbana delicada. Carece de capacidades técnicas e de gestão que o executivo actual não tem. Nem sequer concebe que possam existir.

O “despotismo” opaco e não iluminado de Manuel Machado foi, é e será incapaz de levar a operação a bom porto.

Neste sentido, a minha opinião é que só há duas hipóteses possíveis:

– Ou  a operação é feita com o sentido de potenciar a passagem de um transporte público sobre carris (a condição original que provocou as demolições);

– Ou deverá ser reposta toda a estrutura urbana existente antes de 2005, as casas deverão ser reconstruídas e as ruas e becos (Rua Direita, Rua João Cabreira) deverão ser repostas com eram antes.

As demolições foram feitas com um único fito. Gorado esse propósito, repõe-se tudo como estava antes.

Não me parece que possa haver quem não entenda isto.

Se quiserem saber mais aprofundadamente as razões desta opinião, terei todo o gosto em desenvolvê-las.

Mas, voltando ao mais importante, as razões da nossa candidatura.

A nossa candidatura não é, não pode ser nunca, uma candidatura de oposição, por muito nobre que essa oposição possa ser.

A nossa candidatura só pode ser uma candidatura para o governo da cidade. E, dadas as circunstâncias actuais (que todos/as reconhecemos), a estruturação de um governo para a cidade é uma tarefa imensa, exigente e responsável, que está perfeitamente ao nosso alcance.

No meu entender, a estruturação da nossa acção governativa deveria assentar em cinco pilares fundamentais, a saber:

  1. Relações externas

Re-dignificação externa da imagem de Coimbra. A nossa comunidade urbana e regional não pode continuar a sofrer as humilhações que tem sofrido. Temos de assumir uma atitude positiva, que reaja com firmeza e elevação a esse estado de coisas.

  1. Relações internas

Cooperação institucional com as entidades da cidade e da região. As principais instituições da cidade e da região, públicas e privadas, actuam de forma isolada, sem coordenação e sem a definição de objectivos estratégicos mais abrangentes que o mero desenrolar do expediente.

  1. Economia, emprego e consolidação demográfica

Captação de investimento e estratégias económicas para actividades emergentes. A Cultura estaria obviamente incluída neste item.

  1. Reestruturação urbana e territorial

Reabilitação dos espaços da cidade e dos seus limites. Re-caracterização, pelo uso, dos espaços residuais (quer os rurais, quer os urbanos). Promoção activa da qualidade urbana e arquitectónica.

  1. Sistematização dos serviços urbanos de utilidade comunitária

Transportes e mobilidade, limpeza, resíduos, redes de telecomunicações, etc. É o entendimento sistemático e eficiente dos serviços e das redes urbanas que faz com que a cidade se recomponha e se volte a assumir como tal. Deverão ser discutidas e estipuladas estratégias e hierarquizadas as prioridades de acção em todas e em cada uma destas áreas altamente estratégicas. Deve ser declarado o fim das acções avulsas e casuísticas, ao sabor das intuições eleitoralistas.

A minha ideia para uma candidatura é, pois, a de um programa que revele:

–  capacidade para governar a cidade e mostre que estamos cá para isso;

– que, desde o primeiro momento, tem as pessoas certas para o realizar;

– que estamos absolutamente determinados e capacitados para essa governação, aberta e democrática;

– que não somos contra os partidos do chamado arco da governação local, mas sim contra a mediocridade que se apoderou deles e das suas máquinas autárquicas, com o objectivo único de contornar a democracia, queremos demonstrar quão nefasto isso é para a cidade.

Penso também, e por último, que quem tem olhado para nós e para a nossa acção política, dê um sinal inequívoco de que o faz (infelizmente, e dada a nossa CS, isso é vital para todos aquelas/es de nós que estão nos órgãos da CM e das JF). Não é bajulação que queremos, é um mero sinal que nos vêem, mais nada. É perceber se valeu a pena. Caso tenha valido, que se mostrem disponíveis para integrar as nossas fileiras e perceber o que está realmente em causa nestas eleições.

Não queremos que, nos próximos cinco anos, Coimbra continue a ser o alimento para cevar a mediocridade que dela se apoderou, com sevícia.

Por isso devemos avançar de modo transparente e democrático, sim, mas com responsabilidade e determinação.

 

14 de Novembro de 2016

José António Bandeirinha

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