PLENÁRIO do CPC: a 19 de Novembro foi assim

 

No velhinho anfiteatro da Escola Secundária José Falcão, na tarde deste sábado germinou um caminho novo e de futuros.  Começando pelo fim, foi aprovada por unanimidade, e aplaudida com alegria, a decisão de organizar uma recandidatura do Movimento às eleições autárquicas de 2017.

Este Plenário iniciou-se com a apresentação das principais ideias debatidas e propostas nas sessões parcelares e temáticas da manhã, que se somaram, cruzaram e complementaram num diagnóstico de insatisfação sustentada em relação ao governo autárquico da Cidade e do Concelho. De forma muito resumida, foram trazidas as seguintes propostas:

Do 1º painel de debate, sobre as questões económicas e demográficas, foi salientada a elevada taxa de desemprego do Concelho a contrastar com o valor do rendimento per capita, o que não espanta, tendo em conta o peso dos serviços na economia local. Ideias-chave para uma política de desenvolvimento e inclusão passariam por:

– uma relação mais estrita entre a universidade, a autarquia e as empresas de base tecnológica, fazendo jus ao seu epíteto de “cidade do conhecimento”;

– uma aposta maior e um incentivo à economia social, recuperando e revalorizando os ofícios e produtos tradicionais, por exemplo;

– uma maior preocupação com a disseminação da informação e com a formação de uma rede colaborativa que vertesse de facto o conhecimento numa mais-valia para o território e para as populações, contribuindo para a consolidação demográfica.

No 2º painel, sobre reestruturação urbana e territorial, foi vincada a tese sempre emergente no Movimento, de que Coimbra se diminui e que não afirma e firma o seu lugar no Pais, para bem dela e do próprio País, que nada ganha com a macrocefalia de Lisboa. Foi reforçado que desenvolver é muito mais do que reestruturar ou intervir no edificado, porque tudo isso precisa de um plano estratégico que comece com a pergunta “Para quem a cidade?” O recente “tomar da cidade” subterrâneo por fundos imobiliários e por empresas de turismo, sem uma regulação explícita e consequente, pode não traduzir-se em desenvolvimento. A relação da cidade com a Universidade foi de novo convocada para expor a perda mútua bem notória dos estudos prospetivos que apontam o decrescimento da frequência nos próximos anos. Não ter uma cidade cosmopolita e desenvolvida decerto contribui para esta perda.

No 3º painel, em torno dos serviços urbanos e da sustentabilidade ambiental, foram enumeradas várias insuficiências dos serviços públicos, destacando-se os transportes, que precisam de uma frota melhorada, e a sugestão de se retomar a “Ecovia”. O desprezo pelo peão é uma das evidências da cidade, onde não se vê um investimento em arborização e espaços de descanso e convívio. Foi sugerida uma aposta na participação cidadã para exigir a qualidade desses serviços, com soluções como as “provedorias”, o mecenato do “adote uma rua”, ou ainda uma solução tecnológica que permita responder na hora às reclamações. Depois foi lembrado que Coimbra não é só o centro e que as periferias, surgidas como dormitórios, nada têm de urbanidade, podendo investir-se na construção de praças com equipamentos comunitários, que criem laços de vizinhança e cidadania e que sejam nós de uma rede de transportes que ligue toda a cidade. Surgiu ainda o reconhecimento das associações de moradores com o seu papel importante e a desenvolver neste sentido da cidadania ativa.

Finalmente, do 4º painel, “Que desafios para a cultura?”, foi reportado o sentido abrangente do conceito em discussão e a sua importância enquanto conjunto de mecanismos – de produção, difusão e acesso ao conhecimento- que contribuem para o contrariar das tendências de restrição e fechamento das pessoas em tribos, numa espécie de alienação, que deixa desprotegidas as vias de ascensão de autoritarismos e separatismos, em tudo contrários ao progresso no sentido do humanismo e cosmopolitismo.

Assim sendo, a política cultural em sentido restrito deverá continuar no centro das propostas de diferenciação do CPC, exigindo que se norteie por princípios de diversidade, inclusão e participação, que assente em serviços públicos bem geridos e qualificados. Objetivamente foram apontadas quatro ações estratégicas a propor pelo CPC:

  1. A elaboração de um manifesto sobre a centralidade da cultura, sobretudo nesta cidade, a apresentar e debater na Assembleia Municipal;
  2. Uma concretização de contactos com os agentes culturais do concelho, para conhecer, valorizar e estimular a sua participação política; neste âmbito ficou como hipótese a refletir a criação de um Conselho Municipal de Cultura.
  3. Um inventário de todos os equipamentos e criação artística local, tendo em conta que muito do que emerge e existe nem sequer é conhecido;
  4. A articulação com a educação, no fundamento de que ambas se completam e enriquecem, porque a educação precisa de ser liberta dos espartilhos reducionistas e utilitários e a cultura precisa de alargar a sua fruição.

 

O coordenador do Movimento, José Augusto Ferreira da Silva, fez então uma curta intervenção colocando as questões centrais deste Plenário, resumidas do seguinte modo:

– O que fizemos valeu a pena? Se não nos recandidatarmos a cidade perde? Estaremos realmente dispostos aos esforços necessários à recandidatura? O empenho cívico é verdadeiro, profundo e de compromisso? Seremos capazes de reunir meios, nomeadamente financeiros, para continuar em campo?

A estas questões foram respondendo vários cidadãos, apontando alguns indicadores menos positivos ou dificuldades acrescidas, mas também o evidente contributo do CPC para a elevação do nível da política autárquica, tanto por ser a única real força de oposição, como pela posição de respeito e dignificação do trabalho autárquico, absolutamente reconhecida pelo trabalho do vereador e dos deputados municipais e de freguesia.  Foi lembrada a dureza deste trabalho e o sentimento de esforço desproporcionado com o resultado, bem como a dificuldade de mobilização ao nível das freguesias, mas todas as intervenções terminaram com a declaração de dever e necessidade de nova candidatura, precisamente por estas dificuldades e, acima de tudo, pelas causas renovadas nos painéis da manhã.

No final, perante a pergunta formal da mesa se haveria alguém contrário à recandidatura até então defendida por todas as vozes, ao silêncio momentâneo seguiu-se a declaração de recandidatura por unanimidade e o aplauso veemente e caloroso de toda a assembleia.

No fim, o Coordenador pediu então o esforço geral de alargar o movimento no sentido de formar e renovar as listas de candidatura, com estratégia e metodologia a discutir e aprovar no Plenário de janeiro de 2017.

 

fotografia de Fernando Moura

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