Camaradas, os tempos estão a mudar, e é para pior

Camaradas, os tempos estão a mudar, e é para pior.
Olhemos em redor: o fascismo ordinário está no poder na Polónia, na Hungria, na Turquia, na Áustria está à porta e em Janeiro o fascismo mediático tomará de assalto a presidência dos EUA.
A vitória de Trump não é, como repetem os que escondem a cabeça na areia, o resultado do funcionamento normal da democracia. É um ataque feroz e uma ferida profunda na democracia e uma ameaça de contágio que devemos levar muito a sério.
Não me digam que é longe de nós que tudo isso se passa. A isso respondo: há muito que deixou de haver longe. E não pensem os otimistas, os não-pessimistas e os acomodados que foi por acaso que os neonazis saíram à rua, em Lisboa, 5 dias depois da vitória trumpista. Saíram porque perceberam a derrota de todos nós e porque se sentiram encorajados pela ferida profunda que nos foi infligida.
Que tem o reality show fascista de Trump e o fascismo ordinário do PNR que ver com as eleições autárquicas do próximo ano?
Não há um Trump no município, mas não podemos afirmar que nenhum Trump irá concorrer. Na América também não acreditavam que Trump pudesse ser sequer o candidato do Partido Republicano quanto mais Presidente. Por isso, por muito que pareça estranho, tudo isso tem que ver com toda e qualquer batalha política, seja a sua dimensão qual for e seja onde for que ela se trave.
Porque, camaradas, the times, they are a’changing, os tempos estão a mudar para pior e ninguém pode ficar dormente ou calado, porque os tempos não são de sossego em parte alguma. São tempos de alerta, de trabalho político, de luta em defesa da democracia, aqui e em toda a parte. Em cada uma e todas as áreas onde a participação democrática é exigida a todos nós.
Aqui, em Coimbra, não podemos pois ficar à espera que outros decidam por nós o sentido do voto, ou que outros continuem a governar ao arrepio da democracia e que outros ainda continuem a demitir-se do exercício de uma oposição democrática.
The times, they are a’changing, meus amigos. Por isso, SIM, devemos apresentar-nos à próximas eleições autárquicas. É uma responsabilidade política. Uma exigência ética. Uma urgência cívica.
Defendo convictamente que devemos candidatar-nos:
Porque temos ideias para a cidade e acreditamos nelas.
Porque prezamos o trabalho dos nossos representantes.
Porque provámos que o governo da cidade tem sido incompetente, anacrónico, prepotente, inculto e grosseiro. Insultuoso para os munícipes. Desastroso para Coimbra.
Porque estamos fartos de que Coimbra vegete ao arrepio do panorama político do país, que foi capaz de punir democraticamente os representantes submissos da Europa das finanças, de negociar com esta sem perder a dignidade, e de começar a devolver aos mais pobres o que a Troika lhes retirou durante 4 anos de enxovalho.
Porque acreditamos que Coimbra merece mais e, em vez disso, vemo-la a valer cada vez menos no panorama nacional, a ser cada vez mais irrelevante: para as outras cidades, para os governos, para a generalidade das direções partidárias, para o país.
Porque privilegiamos o interesse público, defendemos o bem comum e trabalhamos em prol da democracia.
Porque estamos fartos do compadrio, do nepotismo, dos negócios opacos, do favorecimento aos amigos de lista, de partido ou de negócio.
Porque confiamos em que a nossa ação em defesa do interesse dos munícipes em geral e dos mais fragilizados em particular será, mais tarde ou mais cedo, compreendida e recompensada com maior representação no executivo, na assembleia municipal e nas assembleias de freguesia.
Porque a democracia não depende da clausura, não funciona dentro de portas fechadas, e porque à permanente suspeição patológica respondemos com o direito incondicional de tudo dizer criticamente com transparência democrática.
Porque recusamos a neutralidade, o absentismo, o conformismo, a hipocrisia, as concessões em troca de um prato de lentilhas.
Porque queremos que tudo isto tenha um fim.
Porque queremos que Coimbra mude para muito melhor e queremos contribuir ativamente para essa mudança.
E porque sabemos que somos capazes disso. Sim, somos capazes.
Porque falamos e continuaremos a falar verdade aos munícipes. Não há outra forma de falar com os nossos concidadãos senão com a verdade.
Estou cansado, meus amigos, estou cansado. Cansado de ver a democracia a ser minada por fora e por dentro. Mas não há cansado que me impeça de ir à luta uma vez mais.
There’s a battle outside and it is ragin’ , cantou também o poeta . Há uma batalha lá fora e é raivosa.
São os tempos que nos convocam, meus amigos. E nós não podemos faltar à chamada. Os tempos, camaradas, they are a’changing. E nós temos de contribuir para que eles mudem para melhor.

Abílio Hernandez

19/11/2016

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