Projeto educativo tem de ter escala regional

Coimbra e sua região precisam de um projeto educativo integrado e coerente. Por isso, um órgão como o conselho local de educação, alargado a diversas entidades e parceiros, deve assumir um caráter regional, propõe a plataforma “Melhor Educação”, que agrega dezenas de associa- ções de pais do concelho de Coimbra.

A discussão em torno do papel do Conselho Local de Educação foi promovida, no sábado, pelo grupo político Cidadãos Por Coimbra (CpC). A sessão teve escassa assistência mas nem assim deixou de ter interesse, dada a riqueza do contributo dos convidados. O ponto de partida foi o órgão CME – Conselho Municipal de Educação existente, a sua história e as suas circunstâncias.

Filipe Xavier, professor, presidente do Conselho Geral do Agrupamento Martim de Freitas, integrou-o quase desde o início e não tem dúvidas: praticamente, só serviu para respaldar a Carta Educativa Municipal, elaborada por Luís Pais Antunes e José Manuel Canavarro, quando Carlos Encarnação era presidente da câmara – um documento “conservador, só preocupado com instalações e equipamentos e sem ter em conta qualquer projeto educativo”, disse. O presidente da “Melhor Educação” – que sucedeu a Filipe Xavier no CME – também diz tratar-se de um “órgão obsoleto e disfuncional”. Por isso, Pedro Serra preferia uma estrutura mais restrita mas que pudesse ter voz nas deliberações do setor.

Um exemplo do que poderia ser um cenário “novo”, resultante do contributo do “novo” CME, seria a incorporação no projeto educativo regional da Carta de Princípios para a Educação Artística, que a “Melhor Educação” ajudou a conceber, no âmbito de uma plataforma alargada de grupos, em que também se inclui O Teatrão. Curiosamente (ou talvez não), o atual CME integra, por obrigação legal, inúmeras entidades mas nenhuma da área da Cultura. Cidália Pereira, do Centro de Emprego de Coimbra, optou por não enveredar pela veia crítica. Identificar problemas é fácil; apresentar soluções e, sobretudo, contribuir, nos planos pessoal e profissional, para a sua concretização é que é difícil, enfatizou. Assim, deu conta de uma experiência colaborativa e proativa muito interessante, há mais de duas décadas, em Figueiró dos Vinhos, que envolveu formadores do IEFP e professores do sistema regular. E sublinhou que, na construção de um projeto educativo, o papel do instituto público não pode ser o de receber o que “não cabe” nas escolas mas, antes, tem de ser um parceiro e um igual entre iguais.

Paulo Marques

 

(fotografia do artigo do jornal)

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