Ganhámos uma causa. Impedimos demolições grosseiras e uma estrada para carros. Obrigámos a um compromisso com a regeneração urbana e com o Metro

 

 

  1. Recordemos o essencial. O Presidente da Câmara de Coimbra preparava-se para abrir uma via para trânsito automóvel através de mais demolições na baixa, incluindo três edifícios da Rua da Sofia devidamente identificados. Na deliberação aprovada não havia uma linha sequer sobre regeneração urbana, recuperação de edifícios ou outro arranjo daquela zona. Havia isso sim, ao pormenor, o desenho das “marcas rodoviárias” e dos “sinais de código” para os carros fluírem. No protocolo assinado com a Metro Mondego dispunha-se mesmo que uma rede separaria a zona a intervencionar do resto. Não se falava em lado nenhum do projeto do Arq. Gonçalo Byrne, cuja irrelevância para a obra foi declarada.
  2. Esta deliberação da CMC foi aprovada pelo PS e pelo PSD e teve a abstenção da CDU, só teve o voto contra do movimento Cidadãos por Coimbra  e não mereceu a atenção dos órgão autárquicos até ser por nós denunciada na Assembleia Municipal de Abril. Seguiu-se a isso uma série de impropérios, atitudes grosseiras e contradições diárias por parte do Presidente da Câmara e de quem o apoia, num desnorte intenso e nervoso. Subitamente, do dia 29 deste mês, em oposição a tudo os que estes tinham dito, vimos tês enormes e ridículas lonas a cobrir os prédios a demolir em que se mostra que estes são todos salvaguardados, é anunciado em letras garrafais que o projeto é o do Arq. Gonçalo Byrne e que a via é para o metro ligeiro de superfície. Além disso, são divulgados vídeos em que se dão detalhes daquele projeto, na linha, aliás, do que esteve patente na exposição que o movimento Cidadãos por Coimbra promoveu na loja do Metro Mondego (e que mereceu a visita intempestiva e ameaçadora do Presidente da Câmara) e na conferência que, a nosso convite, o Arq. Gonçalo Byrne tinha feito no Teatro da Cerca de S. Bernardo.
  3. Esta radical mudança de posições da Câmara Municipal só existiu porque, perante o silêncio e a desatenção gerais, decidimos abraçar esta causa e denunciar o crime urbano que se preparava. Para isso contribuíram decisivamente o movimento de opinião gerado e as mais de mil pessoas que associaram o seu nome à nossa iniciativa. Vindo do fundo do obscurantismo camarário ganhou-se um compromisso com uma operação de regeneração urbana e com um programa de arquitetura e desenvolvimento urbano competente e recolocou-se o Metro na agenda. O exato inverso da operação grosseira que se preparava.
  4. Na última Assembleia Municipal, pelo voto contra ou pela abstenção, o PS, a CDU, o PSD e o CDS inviabilizaram o referendo que propusemos. Condiz com as posições e a história de cada um na vida da cidade e não os dignifica. Mas todos, com a exceção lamentável do PS – cujas posições na AM são mais do que acéfalas, são indigentes – disseram que com esta iniciativa se tinha trazido para o debate um assunto de que a cidade mais tarde se lamentaria. E todos se comprometeram com os três pontos que a nossa ação trouxe para a discussão: regeneração urbana através do projeto do Arq. Gonçalo Byrne, via dedicada a transporte público elétrico e salvaguarda dos edifícios da Rua da Sofia.
  5. Apesar de os nossos pontos estarem assumidos naquele debate insistimos na votação da proposta de referendo. Porquê? Porque é legítimo o medo de que o que se passou na Assembleia possa não passar de uma encenação. Por exemplo, opuseram-se à nossa proposta de vincular o Presidente da Câmara à apresentação de uma nova deliberação com os conteúdos referidos, coisa que ele, no meio de tanta manobra, sempre recusou. Que outras manobras se seguirão? Que habilidades se inventarão? Que sofismas nos apresentarão? Perante tanta incompetência e desonestidade, a realização de um referendo em que a cidade elevasse a sua voz era a forma de vincular a Câmara a obrigações claras e a um escrutínio cuidadoso. Mas o gosto pela democracia participativa é só nosso, naquela Assembleia. Temos agora de fazer tudo isto de outro modo. Mas fá-lo-emos.
  6. O movimento Cidadãos por Coimbra sente-se honrado por ter abraçado esta causa e por a ter feito vencer. Obtivemos uma vitória. Obrigámos à discussão. Elevámos o nível. Envolvemos a cidade. Impedimos um crime urbano. Prosseguiremos esta luta com redobrada atenção.
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One comment

  • Ivana Scantamburlo

    Que avancem logo, pq só falam e falam e nada…..Coimbra merece ser e estar melhor mesmo em relaçao ao turismo e mais conforto para os habitantes de Coimbra.

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