A força da cidadania e o desnorte do Dr. Manuel Machado: comunicado do CPC

Numa deslocação ao local da proclamada “via central”, o presidente da Câmara Municipal, pelo que se pôde ler na Comunicação Social, terá declarado, em síntese, o seguinte: 1. O projeto que vai ser executado é o do arquiteto Gonçalo Byrne. 2. Vai ser demolido um e não quatro edifícios. 3. A “via central”, como a Rua da Sofia, terão dois sentidos de trânsito rodoviário. 4. O elétrico rápido sobre carris não tem sustentabilidade económica e o que deve ser introduzido são os BRT.

 

Para que não restem dúvidas, na sua reunião de 29.02.2016, a Câmara Municipal de Coimbra deliberou (deliberação nº 1952/2016: “Aprovar o Projeto de Execução da via central (Rua da Sofia / Av. Fernão de Magalhães) nos termos propostos pela Divisão de Estudos e Pareceres).

 

Tal proposta  não tem a mínima referência ao projeto do arquiteto Gonçalo Byrne.  E, tendo sido efetuada pelo vereador do CPC uma expressa chamada de atenção para isso, em nenhum momento o nome daquele arquiteto foi referido pelo Presidente da Câmara, como seria curial, se ao menos tivesse pensado nesse projeto. Ou não seria assim?

E quanto às demolições? Vejamos o que se diz textualmente na proposta:

«A zona entre a Rua da Sofia e a Rua Direita (a poente) apresenta algumas condicionantes para o avanço de toda a proposta:

  • Para a abertura do “canal” à Rua da Sofia, será condição a prévia demolição e reconstrução dos edifícios onde estão instaladas a Farmácia Luciano e Matos, a Pastelaria Palmeira e a antiga “Democrática” (já propriedade da Metro Mondego).
  • Nesta fase, pelas características do edifício municipal da Casa-Aninhas (bom estado de conservação e funcionalidade dos Serviços Camarários) propõe-se manter o corpo do edifício (cuja demolição consta na proposta da Metro Mondego), uma vez que se garante, de imediato, uma via para circulação automóvel e amplos passeios para os peões. A necessidade de demolição total deste corpo do edifício decorre da instalação neste local da estação do Metro, não sendo, portanto, imprescindível, nesta fase.»

E a acrescentar aos ali referidos estava, ainda, sem qualquer margem para dúvidas, o do edifício da Metro Mondego entre a Farmácia Luciano e Matos e a Padaria Palmeira.

Perante esta gritante desconformidade entre o deliberado pela Câmara Municipal e o agora defendido pelo presidente Dr. Manuel Machado só três hipóteses, razoavelmente, se colocam: primeira, o presidente não conhece as propostas que submete à apreciação do executivo, nem as deliberações que este toma; segunda, conhecendo bem uma coisa e outra, com as suas declarações quis deliberadamente enganar os seus concidadãos; terceira, deu o dito por não dito, face à amplitude do movimento cidadão de repúdio ao deliberado e defesa de um referendo.

Só que, neste caso, para a sua posição ser coerente tem de ser proposta nova deliberação ao executivo que consagre: 1. que o projeto a executar é o do arquiteto Gonçalo Byrne; 2. que a via central será destinada exclusivamente a um canal dedicado a um sistema de elétrico rápido de superfície, com exclusão de transporte rodoviário, a não ser de emergência. Porque tudo isto não encaixa no contraditório discurso do Dr. Manuel Machado. Efetivamente, ao mesmo tempo que diz que o projeto a executar é o do arquiteto Gonçalo Byrne, que tem como um dos seus pressupostos o canal dedicado a um sistema de elétrico rápido de superfície, o presidente da Câmara quer um trânsito rodoviário em dois sentidos de trânsito, descartando a hipótese de sistema elétrico de superfície, curiosamente, com o mesmo argumento utilizado, há pouco mais de um ano, em Coimbra, pelo então Primeiro Ministro Passos Coelho.

Ou seja, como se percebe, o seu aparente recuo teve apenas como objetivo desmobilizar o forte movimento cidadão em favor do referendo. Nada mais. Ainda que, para isso, tenha tido necessidade de recorrer à deturpação grosseira de uma deliberação camarária. O que é, em todos os sentidos, deplorável.

O CPC reitera o seu total empenho na defesa de um sistema de transportes públicos de qualidade através da instalação urgente de um elétrico rápido de superfície que ligue Serpins a Coimbra B e ao CHUC, que não só Coimbra merece, como é fundamental para o desenvolvimento de toda a região.  Reitera, ainda, a urgência de um programa de regeneração e reabilitação urbanas da baixa da cidade de Coimbra, entendido também como projeto de desenvolvimento local que torne aquela zona atrativa, desenvolvendo-a, quer para a habitação, quer para o comércio e para atividades culturais e de lazer. Tudo o que o executivo municipal se tem mostrado incapaz de planear e realizar, mau grado as declarações retóricas do presidente da Câmara Municipal. 

 

Coimbra, 22 de junho de 2016

A Comissão Executiva do CPC

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