Convento de S. Francisco: um triste presente de Natal?

Isabel Prata escreveu um texto de opinião, publicado a 31 de Dezembro no Diário As Beiras, em reacção às notícias que foram publicadas a 16 de Dezembro sobre o Convento de São Francisco. [podem ler aqui o artigo do Diário As Beiras]

 

Cinco anos e muitos milhões de euros depois parece que vai finalmente ser inaugurado o Centro de Convenções de S. Francisco.
Nos mais de dois anos em que o Movimento Cidadãos por Coimbra (CPC) está presente nos órgãos autárquicos já a voz devia doer aos seus representantes de tantas vezes inquirirem a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) sobre o destino do Convento. Nunca nas reuniões do executivo, na assembleia municipal ou na comunicação social, a CMC e o seu presidente desvendaram segredo tão bem guardado. Até hoje a cidade de Coimbra ignorou o que, muitos milhões de euros depois, iria acontecer atrás das paredes do Convento e que justificaria aquele gordíssimo investimento.
Nos mais de dois anos em que o CPC está presente nos órgãos autárquicos já a voz devia doer aos seus representantes de tantas vezes argumentarem pela necessidade de uma discussão pública séria sobre o destino a dar ao Convento; de tantas vezes exigirem, sem resposta, um concurso público internacional para a gestão e programação do Convento. Em vez disso, o Presidente da CMC entendeu ignorar a cidade e os seus representantes e continuar a decidir sozinho no conforto do seu gabinete. Decidiu a seu modo, contratou um gestor por ajuste direto, por um ano e depois por outro, e nada mais se sentiu obrigado a responder a quem lhe perguntava.
Até ao dia 16 de Dezembro de 2015, vésperas de Natal, talvez por isso, em que um artigo neste jornal levanta o véu sobre o Convento. Ficámos então a saber que não vai haver concurso, quanto mais internacional, que modernice, que disparate, o programa e programador foram escolhidos pelo Presidente da CMC, e pronto!
Começamos a ler o referido artigo e temos ainda alguma esperança “o Convento de S. Francisco não dá para fazer bem. Só dá para fazer muito bem”. Não podíamos estar mais de acordo. Até que descobrimos que fazer muito bem significa ter já alguns congressos na agenda, vinte e nove, não se sabe de que dimensão nem em que espaço temporal. É pouco, quando se pretendia um a cada três dias do ano… mas tem que se começar por algum lado, acreditemos que mais de cem congressos por ano irão aparecer e tudo irá correr muito bem, já que deles depende uma grande parte do financiamento do Convento. Ficamos também a saber que quando João Aidos assumiu o cargo de gestor “as funções de cada espaço do Convento de S. Francisco não estavam ainda atribuídas”, mas que isso é passado, porque “neste momento, o problema está resolvido e o equipamento está bem preparado para “cumprir” as duas funções para o qual foi projetado”. Ficámos mais descansados, já sabemos que temos equipamento embora ainda não saibamos bem para quê.
Ficamos a saber que “não será possível ter eventos todos os dias no grande auditório”. Ora, nem tanto pedíamos. Afinal, como diz o programador no mesmo artigo, “a escala do edifício é sobredimensionada para o território”. Esta nossa mania de nos pormos em bicos de pés, em querermos mais do que o que merecemos.
Ficamos a saber que fazer muito bem significa também descansar os jovens casais porque vai haver aulas de música e dança para bebés e crianças, coisa que até temos um pouco por toda a cidade, em equipamentos que não estão “sobredimensionados”, mas que talvez fiquem abandonados. Ficamos também a saber que algumas das companhias que apresentam grandes espetáculos em Lisboa ou no Porto poderão justificar a viagem ao nosso país com uma “saltada” a Coimbra e que até, aonde chega o arrojo, poderemos vir a ter um espetáculo de circo moderno!
E nada mais ficámos a saber, porque nada mais parece haver para dizer.
Senhor Presidente da CMC, triste presente de Natal para Coimbra. Recordo as palavras do deputado do CPC, José António Bandeirinha, numa reunião da Assembleia Municipal: “A cidade não aguenta tanta coisa estratégica a correr mal”, e tenho que concluir que, com esta governação, a cidade vai ter que continuar a aguentar.

 

Isabel Prata

Artigo de opinião publicado aqui.

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