“Sem rumo…”

José Augusto Ferreira da Silva, coordenador e vereador do movimento cívico Cidadãos Por Coimbra, foi convidado pelo Diário As Beiras a fazer o balanço de dois anos do mandato de Manuel Machado na CMC. O título do texto é “Sem rumo…”

Sem rumo…

 

Fazer o balanço do trabalho da atual Câmara Municipal e do seu Presidente nos últimos dois anos implica, em nosso entender, responder a duas questões centrais: primeira, melhorou a qualidade de vida das pessoas que vivem e trabalham em Coimbra?; segunda, melhorou a qualidade da democracia aqui praticada?

 

No que respeita à primeira, propomos algumas paragens numa visita guiada à cidade, no âmbito das competências municipais: o centro urbano continua no estado degradado de 2013, sem sinal de alteração; a Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) continua paralisada, sem definição do seu futuro, e as ações pontuais previstas, como a do Terreiro da Erva, não se destacam pela ousadia da qualidade; quase dois anos e meio depois da classificação da UNESCO, os poderes públicos municipais mostram-se incapazes de traçar um rumo que aproveite as enormes potencialidades criadas, vivendo pasmados perante o natural crescimento do turismo que visita a Universidade; a limpeza da cidade vive, atualmente, um dos piores momentos dos últimos anos, sendo mesmo tratado na CMC, perante as críticas reiteradas dos cidadãos, com um encolher de ombros e o argumento desculpabilizante da impossibilidade de contratação de mais pessoal; as entradas e saídas da cidade, com destaque para a da Casa do Sal, continuam a ser uma imagem negativa, com ruínas e silvados que se eternizam; a estação de Coimbra B e a garagem das camionetas são outras infelizes entradas para quem nos visita utilizando esses meios de transporte, o que mesmo a positiva obra de asseio realizado pela Câmara Municipal junto à estação não resolveu; os SMTUC continuam sem plano para redimensionamento da rede e requalificação de meios, remendando apenas os estragos que um incêndio ou abate de autocarro vai exigindo; políticas sociais ativas, ligando o combate à pobreza com a promoção de condições para a criação de emprego, estão completamente ausentes da Câmara; o Iparque continua paralisado à espera de decisão que defina o seu futuro; apesar do elevadíssimo investimento, os munícipes continuam sem saber o que se pretende fazer com o Convento de São Francisco, com vista a que seja um pólo de atração cultural de Coimbra, a nível regional e nacional, condição da sua viabilidade.

 

Ao mesmo tempo, a qualidade da democracia continua a degradar-se, como o refletem a forma como os cidadãos são tratados quando intervêm nas reuniões públicas da CMC; o modo como é sonegada informação relevante aos vereadores sem pelouro e como as suas propostas continuam “engavetadas”; a hostilização da participação cidadã, do que é exemplo flagrante a recusa do Orçamento Participativo ou como um instrumento fundamental para a cidade — o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) — é tratado às escondidas dos cidadãos.

 

O que aqui damos é uma imagem negativa do que se passa no concelho? Pois é! E como gostaríamos de dar outra. Para isso temos trabalhado no estudo de dossiers, na promoção da discussão pública sobre diversos temas, na elaboração de propostas… Porque estamos — porque continuamos — convictos de que Coimbra precisa urgentemente de um novo rumo.

 

Coimbra, 20.10.2015

 

José Augusto Ferreira da Silva  

Anúncios

One comment

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s