João José Cardoso: As cheias de Manuel Machado

A ideia do arquitecto Fernando Távora, rebaixar a Praça 8 de Maio de forma a que a igreja de S. Cruz recuperasse sua dignidade, era uma excelente ideia. O problema veio a seguir: Manuel Machado concordou, mas executou. E onde o actual presidente da ANMP faz obra, sai asneira.

Hoje voltámos a ter cheia em frente ao Panteão Nacional. Bastaram uns minutos de precipitação. Afonso Henriques não chegou a levar com ela, mas o espectáculo é no mínimo ridículo, e absurdo.

Era possível ter feito pior execução da proposta do arquitecto? talvez, mas seria difícil. A começar pelo lago, que já esteve para ser chama da pátria, estava razoavelmente afastado do conceito de caixote de lixo líquido e urbano, mas Manuel Machado voltou, ninguém lhe explicou que além de não moverem moinhos águas paradas atacam a saúde pública, e hoje transbordaram. A continuar pelo escoamento de águas mesmo em frente à igreja e após um plano inclinado, que não aguentam com uma chuvada banal. A concluir pelas rampas mal lançadas (recordo que um dia passavam ali uns médicos em romagem de antigos estudantes, e ouvi um questionar: “quem foi o ortopedista com falta de clientes que desenhou isto?”) e depois rectificadas, e sempre na glória e esplendor de uma pedra estupidamente brilhante, de má qualidade, que lá se vai substituindo aqui e ali. Há que poupar na obra, na pressa de inaugurar. Depois gastamos mais, paciência, quem paga não manda.

 

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