Isabel Prata | Estacionamento no Polo 3

Isabel Prata escreve sobre a sua experiência quotidiana com o estacionamento no Polo 3 e conta uma conversa com uma jovem médica da Urgência do CHUC que não tem deixar o carro quando vai trabalhar...

O Movimento Cidadãos por Coimbra promoveu na semana passada um debate sobre as dificuldades de estacionamento e mobilidade na cidade e em particular na zona do CHUC e do Polo 3 da Universidade.

Trabalhando no Polo 3, o caos que ali foi diagnosticado é o meu pão nosso de cada dia. Hoje foi apenas mais um desses dias.

Para quem não conhece, o acesso a todos os edifícios que constituem o Polo 3 faz-se apenas por uma rua que, na sua maior parte, tem apenas um sentido. Uma dessas obras que em Portugal se dizem provisórias, mas que se perpetuam no tempo até já ninguém se recordar que é apenas provisória. Uma rua em que é permitido estacionamento apenas de um lado, mas onde os dois estão completamente ocupados por carros (passadeiras incluídas). Quando se conduz ao longo da rua tem que se o fazer com cuidado acrescido, porque há sempre gente a andar no meio da estrada. Porque os passeios estão ocupados com carros! A maioria das vezes apenas vejo os carros já desocupados, mas sempre que apanho alguém no acto de estacionar em cima do passeio, lá vou exercer a minha pedagogia ou a minha indignação. Confesso que já me cansa, mas nunca deixo de o fazer.

Hoje mais uma vez, mas hoje deu numa grande conversa. Uma médica muito jovem ia trabalhar, segundo referiu, para a urgência dos CHUC. Segundo ela, tinha dado voltas e voltas sem conseguir arranjar lugar. Segundo ela, há um parque dedicado para quem está a trabalhar na urgência, mas como permitem o estacionamento a outros funcionários do hospital nunca tem lugares vagos. Ainda segundo ela, há um outro parque em que até habitualmente há lugares vagos, mas esse parque fecha às 21 h e por isso quem sai da urgência depois dessa hora não pode ali estacionar. A conversa ficou por ali e o carro azul também, ocupando o passeio destinado a quem anda a pé. Quando ao fim da tarde regressei a casa o carro azul continuava em cima do passeio. Diga-me o leitor se esta história faz sentido. Não deveria o CHUC providenciar planos de mobilidade e estacionamento para os seus trabalhadores? Não deveria a UC impedir que se estacionasse de forma anárquica nos seus passeios e passadeiras? Não deveriam os CHUC, UC e CMC organizarem-se e implementarem (pensar não basta!) soluções para estes problemas?

p.s. durante a hora de almoço tive que me deslocar ao Polo I da Universidade e, quis o acaso, que passasse no adro da Sé Nova. Qual adro, aquilo é um mar de carros. Ponha-se o leitor na pele de um turista acabado de aterrar no património da humanidade e obrigado a fazer gincana por entre os carros para chegar aquele expoente do maneirismo e do barroco, a nossa Catedral. Que vergonha, que terceiro-mundismo.

Isabel Prata

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