Porque te calas?

Os portugueses têm manifestado uma crescente insatisfação com a qualidade do nosso regime democrático. Quais são as causas dessa insatisfação? Que fragilidades ou doenças da nossa democracia originam tanto desencanto?

As liberdades cívicas e os direitos políticos são respeitados?

A justiça permite a igualdade de todos perante a lei?

A participação na vida cívica e política está aberta de igual modo a todos os homens e todas as mulheres?

A classe politica em geral e os governantes em particular atendem aos direitos e às exigências dos cidadãos? Aqueles que estes elegem para os órgãos de soberania exercem as suas funções no respeito pelas expectativas de quem os elegeu?

Se achas que não, porque te calas?

Devemos ser exigentes em tudo quanto diz respeito à qualidade da democracia. E podemos demonstrar essa exigência de diversas formas, exercendo plenamente o direito à cidadania, na defesa dos direitos fundamentais que uma democracia deve garantir. A participação na vida pública, na defesa de uma cidadania de rigor, uma exigência cívica, indispensável para garantir o respeito e o aprofundamento do interesse público e para construir quotidianamente uma sociedade mais justa, mais equilibrada. É por isso importante criar mecanismos de participação cidadã que garantam o escrutínio quotidiano do exercício de poder por todos os homens e todas as mulheres, que são a própria razão de ser da democracia.

Ficar calado pode constituir uma manifestação de exigência? Ou, pelo contrário, não passa de uma forma de demissão? O desencanto e o silêncio são capazes de impedir o mau funcionamento das instituições ou os abusos de poder?

Porque se calam tantos homens e tantas mulheres?

Se os eleitos governam em nome do povo que os elege mas contra os interesses desse mesmo povo, constantemente invocado no discurso político, a abstenção e o conformismo podem ser uma resposta adequada?

A demissão da responsabilidade individual não empobrece a democracia? Não deixa ainda mais espaço para o tráfico de influências, a rede de interesses, a corrupção? Qual é a força do silêncio ou de um simples desabafo sem consequências perante práticas que mancham a qualidade do regime democrático? Devemos satisfazer-nos com uma democracia puramente formal, reduzida ao mínimo?

Porque te calas?

Quem beneficia com o silêncio de tantos?

Qual é o preço desse silêncio?

Porque te calas?

Abílio Hernandez

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