«Juntem-se a nós!»

Contributo de Mila Gadzinski para o Jornalismo Cidadão

A 23 de Novembro, domingo, um grupo de cerca de 20 atletas juniores da Secção de Remo da Associação Académica atravessou a ponte pedonal sobre o Mondego carregando um barco skiff, remos e demais parafernália (que neste caso incluía uma pá, essencial para abrir caminho ou para entrar com os barcos no rio, quando as chuvadas trazem as costumadas enxurradas de areia).

Foi uma brisa de ar fresco e de energia a passar pela Baixa, com breves paragens na Portagem, no Arco de Almedina, Igreja de Santa Cruz, Câmara Municipal, Posto da Polícia e Jardim da Manga, locais fotogénicos para umas tantas imagens, material para um calendário que os atletas irão vender como modo de angariar fundos para as actividades da Secção.

Apanhada de imprevisto, mas por sorte com a máquina fotográfica à mão, segui-os pela Baixa, e fui observando as expressões das pessoas ao vê-los passar: algumas surpreendidas, outras encantadas, uma ou duas senhoras de idade escandalizadas… se calhar não tanto porque eles iam de tronco nu (à excepção das meninas, claro), mas porque estava frio, e as avozinhas preocupam-se sempre com essas coisas. Um casal de turistas ingleses achou a cena «very charming» no Jardim da Manga, onde barco e atletas entraram na fonte dos repuxos. Quando as crianças passavam e ficavam a olhar para trás, um ou outro atleta dizia, «Juntem-se a nós!», não sei se o convite era para esta demonstração insólita, ou para virem remar no Mondego.

Não se pode dizer que o remo seja um desporto muito popular em Portugal, onde muitas pessoas não distinguem entre canoagem e remo, portanto trazer o remo para a rua é mesmo imperativo! No meu entender, é um desporto lindo, em que a camaradagem e sentido de equipa dão uma dimensão extraordinária ao esforço individual, evidente quando se observa a sincronia dos remos num barco de oito, bem treinado.

O Mondego, esse Basófias que de qualquer modo proporciona muito prazer não só aos mais novos como a todos nós, precisa de mais carinho. Os atletas de remo dispensam-lhe muito, pescam os carrinhos de compras que acabam sempre sepultados no rio depois da Queima das Fitas, depois das chuvadas removem os troncos arrastados pela corrente e tiram à pazada a areia que vem inundar o pontão, para terem acesso ao rio.

Mas essa abundância de areia que dificulta tanto os desportos náuticos no rio, nao só o remo como a vela e a canoagem, seria material excelente para incorporar no projeto que se discutiu em Setembro aquando do Piquenique do CPC no Choupal, em que os presentes avançaram a ideia e descreveram um hipotético trilho pedonal-ciclovia ao longo do rio, ligando o Parque Verde ao Choupal. Uma ideia impecável, mesmo de puxar para diante!

O nosso rio e os nossos parques são um investimento que acabará por se pagar a si mesmo, a curto prazo, na melhoria da qualidade de vida e da saúde das populações. O elo entre a qualidade do ambiente e a saúde não é uma coisa vaga, há centenas de estudos demonstrando uma relação muito estreita e imediata.

Um dia, quem sabe, num futuro não muito distante, talvez os nossos governantes nos paguem para caminhar no parque, ou à beira rio. Num estado social, onde os encargos de saúde recaem sobretudo sobre o estado, este ainda ficava a ganhar!

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