Adiado debate sobre criação de linha de eléctricos

O presidente da Câmara de Coimbra adiou hoje o debate sobre a criação de uma linha de carros elétricos na cidade, depois de a oposição à maioria socialista ter alegado falta de informação sobre o projeto.

A proposta de recuperação dos elétricos na cidade, através da criação de uma linha entre a rua da Alegria e a rotunda das Lages, na margem esquerda do rio Mondego, foi hoje apresentada ao executivo municipal pelo presidente da Câmara, Manuel Machado, que defendeu, designadamente, que “os elétricos fazem parte da memória coletiva da cidade”.

É necessária “a criação de meios que permitam a fruição e valorização” da “riqueza patrimonial e potencial turístico” de Coimbra, sustentou Manuel Machado, sublinhando que o município possui “um espólio de oito viaturas” — três de 1911, uma de 1912, três de 1928 e uma de 1930 — quatro das quais já “totalmente restauradas”.

Questionando sobre “o propósito” da preconizada linha de elétricos, seu “enquadramento na rede de transportes” e “vantagens” que ela pode trazer para a cidade”, o vereador do movimento Cidadãos Por Coimbra (CPC), José Augusto Ferreira da Silva, disse precisar de respostas a estas e outras perguntas para se poder pronunciar.

“Quando é recuperável este investimento [estimado em mais de quatro milhões de euros]” – embora “se possa assumir que não é recuperável (e essa é outra opção)” -, interrogou o eleito pela CDU, Francisco Queirós, sustentando que, “sem conhecer o impacto em termos turísticos e financeiros”, o projeto representa “quase um tiro no escuro”.

Não se trata de saber apenas “quanto custa fazer” uma linha de carros elétricos, mas também que “mais valia pode ela representar” para Coimbra, salientou o vereador social-democrata João Paulo Barbosa de Melo, confessando-se, também ele, “pouco informado” sobre o assunto.

Esclarecendo alguns aspetos sobre o projeto, designadamente que a preconizada “linha museológica” de elétricos não será “apenas turística”, mas que também se integrará no sistema de mobilidade da cidade, Manuel Machado, sustentou que, além disso, trata-se de um plano com “fortes possibilidades de ter acolhimento” comunitário e dispor, assim, de verbas da União Europeia.

“Não devemos perder oportunidades de [obter] fundos europeus que não voltaremos a ter tão cedo”, afirmou o presidente da Câmara, adiantando que reagendará a discussão sobre o assunto e que, entretanto, serão distribuídos aos vereadores mais documentos sobre o projeto.

Os carros elétricos circularam em Coimbra entre janeiro de 1911 e janeiro de 1980.

Coimbra, que foi o quarto centro urbano do país a dispor deste meio de transporte, depois do Porto (1895), de Lisboa (1901) e Sintra (1904) — em Braga surgiu em 1914 –, é a única cidade portuguesa e uma das duas na Península Ibérica que mantém uma rede de troleicarros, cujos trajetos coincidem com antigas linhas do sistema de transportes de ‘carros americanos’

Lusa, via Porto Canal

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s