Foi porque sabemos que tudo isto faz falta, muita falta, a Coimbra.

O movimento Cidadãos por Coimbra lançou e está a realizar o programa de debates que designou Coimbra 2030: pensar o futuro, fazer a cidade. Como o título indica, trata-se de discutir Coimbra com visão estratégica, isto é, com uma preocupação de longo prazo, que nos obrigue a pensar sobre o que será esta terra daqui a umas décadas, que ambições temos, que grau de exigência colocamos e, sobretudo, de que capacidades e de que meios nos sabemos dotar para alcançar estes objetivos, na convicção de que nada nos será dado de mão beijada, nada cairá do céu.

Não tomámos esta opção por acaso. Foi porque sabemos que tudo isto faz falta, muita falta, a Coimbra. E por entendermos que o nosso compromisso quando nos apresentámos a eleições era com as pessoas, com o seu quotidiano, com as associações e as instituições, com o coletivos atuantes na cidade, com a vida política que teria lugar neste período de quatro anos – mas era também com uma visão programática larga e exigente que enriquecesse Coimbra, sabendo que ela é deficitária nesta matéria. É disso que estamos a tratar com cuidado e empenho. Não estou, pois, a falar dos diagnósticos que têm sido feitos sobre o que compõe internamente o município ou sobre o seu lugar nos país. Isso fez aqui com brilhantismo o meu companheiro de bancada José António Bandeirinha na última reunião desta Assembleia. Trata-se de mostrar o que queremos para o futuro, o que sabemos fazer para mudar e melhorar o destino de Coimbra, e como lá se chega, interpelando a cidade de vários modos – através das pessoas, dos lugares, do conhecimento que se dispõe.

A primeira sessão realizámo-la a 2 julho e enchemos o salão nobre do edifício da Sá da Bandeira onde funcionou a ACIC. Designou-se A cidade do futuro: Coimbra 2030. Intervieram António Dias de Figueiredo, Nuno Grande, Fernando Madaíl, Mariana Oliveira e Carlos Fortuna. A várias vozes viu-se que são muitos os que pensam na cidade com ousadia: uma cidade onde haja liderança, estratégia, instituições que funcionem e se tornem vitais para a vida concreta de todos os que são ativos e inquietos, numa busca incessante de relevância nacional e internacional, “uma cidade que seja o espelho de uma sociedade respeitadora das liberdades”, com um espaço público que seja a “esfera em que se articula aquilo que é do interesse comum e (…) onde [sejam] debatidas as diferenças”, uma cidade que seja “património e responsabilidade de todos quantos fazem dela um organismo vivo”, que ousem interrogar-se sobre nosso destino coletivo e agir em nome dele. Uma cidade, em suma, em que muita coisa mude.

A segunda sessão deste ciclo foi no passado dia 23, no repleto salão nobre do Colégio de S. Tomás que é, como sabem, o nosso Palácio da Justiça. O tema foi Património Mundial: Que farei com esta herança? Quem o debateu foi António Filipe Pimentel, Delfim Sardo, Raimundo Mendes da Silva e Rui Lobo, sob moderação de Abílio Hernandez. Falou-se do que importa falar: o que vale para Coimbra a distinção da UNESCO, como ela está ou não está a ser a aproveitada, que consciência ganhámos de tudo isto, como a usaremos para transformar a cidade, o que se fez (e tão pouco foi) no primeiro ano. Houve propostas por parte quem sabe do que fala: um Centro de Arquitetura e da Paisagem no Convento de S. Francisco; a requalificação urgente de zonas essenciais cidade; o uso da Sofia, que tão melhor ficou depois de o Colégio da Graça ter sido dado à tutela da universidade; o Museu Nacional de Machado de Castro como peça fundamental para a preservação da memória inteira da cidade.

A próxima sessão terá por tema Porque te calas? A qualidade da democracia em Coimbra e queremos realizá-la porque é necessário impedir que a democracia municipal se desqualifique, pois ela é a base primeira de uma cidade que valha muito. As razões porque nos preocupa muito a qualidade de democracia municipal são todas conhecidas mas não vou agora deter-me nelas. Traremos aqui o assunto depois das nossas jornadas municipais, no próximo mês.

Para além desta agenda que nos ocupará mais de um ano, o movimento Cidadãos por Coimbra assumiu também um assunto de grande urgência – o Metro. Não encaramos este projeto apenas como um meio de transporte nem sequer como apenas o elemento fundamental de um sistema de mobilidade urbana no território próprio da influência da cidade, que obviamente transcende os limite do concelho. Encaramo-lo como um instrumento decisivo de requalificação da urbanidade de Coimbra: pela maneira como permita devolver às pessoas espaços hoje desqualificados ou usados por trânsito desordenado, pelo modo como retire a baixa da sua pobre desertificação, pela maneira como ordene, melhorando, o acesso a grande equipamentos como os hospitais, pela forma como permita ver com grandeza a relação com espaços de proximidade tão importantes como os dos concelhos da Lousã e de Miranda do Corvo. Por tudo isto lançámos uma petição – Exigir o Metro! – que já conta com cerca de 4000 assinaturas e cuja divulgação estamos a acelerar para assim dizermos que exigimos “dos poderes públicos, e em especial do governo, que tomem com urgência as medidas necessárias para garantirem o funcionamento e a concretização da obra”. Convidamos todos a subscreverem esta moção.

Finalmente, quero dirigir uma pergunta ao Senhor Presidente da Câmara, agradecendo penhoradamente que ela seja respondida. Como se sabe, a Cena Lusófona é uma instituição nacional presente em Coimbra e muito relevante no contexto cultural de língua portuguesa. O Senhor Presidente da Câmara conhece bem o protocolo que assinou para a sua instalação. Tem funcionado precariamente até à sua instalação no edifício do Pátio da Inquisição cujo financiamento pelo QREN foi obtido tendo em vista esta finalidade. O edifício estará terminado. Mas não estou certo que a Cena Lusófona viva hoje na situação estimulante de, deste modo, poder programar a sua vida com mais energia, melhores expectativas e mais saudável relação com quem governa a cidade. Gostaríamos de saber se o programa das instalações está plenamente realizado tal como foi concebido, se o processo de instalação nos edifícios remodelados com esta finalidade está estabelecido e concertado coma própria Cena Lusófona e quando ocorrerá a instalação, para assim se valorizar o investimento feito.

José Reis, em nome do movimento Cidadãos por Coimbra

Intervenção na Assembleia Municipal de Coimbra de 30 de Setembro

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