Coimbra versão 2030.pt

“O debate noturno no Colégio de S. Tomás, um dos edifícios contemplados pela ‘chancela’ da UNESCO, atraiu gente. Muita gente. Lotado o salão nobre do Tribunal da Relação para materializar vários caminhos de futuro: “Coimbra, Património Mundial. Que farei com esta herança?”.

Pelos corredores em quase penumbra, pelo claustro iluminado pelas peças azulejares, ecoaram vozes para a Coimbra versão 2030: No Convento de S. Francisco, um Centro de Arquitetura e Paisagem. No Largo D. Dinis, requalificação urgente. Colégio da Graça devolvido à tutela da universidade, todo e completo. Museu Nacional de Machado de Castro entendido como peça fundamental para a preservação da memória inteira da cidade. São estas as propostas escutadas nesta ‘casa de desembargadores’. São estas as opiniões de quem estuda a cidade e o mundo. Juntaram-se diversos saberes. Enumeram-se alguns sem cair na exaustão: a História de Arte, a Arquitetura, a Cultura, a Ciência. E também o saber de quem integra o governo da Universidade.

Património Mundial: Universidade, Alta e Sofia. Isto é, em síntese livre, lugares e fados agora heranças e futuros.
Coimbra, afinal, é plural porque única. É grande porque extravasa as fronteiras da sua geografia de média dimensão. Pátria primeira da língua portuguesa, talhão fundador do conhecimento científico que deixou e continua a deixar lastro de referência mundial. E agora, então? O que fazer com tamanho reconhecimento numa escala tão alargada? O galardão de Património da Humanidade não inventa o terreno de afirmação, antes, isso sim, confirma e sublinha a importância e a riqueza do edificado (com tesouros únicos), das vivências peculiares feitas de crítica livre e ousadia astuta. Eis, em traços gerais, outra vertente assertiva deste debate promovido pelo movimento ‘Cidadãos por Coimbra’.

A cidade dos tesouros únicos, a cidade das vozes que enfrentaram regimes da Portugalidade, mais do que abster-se desta distinção da UNESCO deverá, sublinhe-se, ter a capacidade de aspergir as repercussões positivas deste ‘adorno’ de marketing positivo. Captar turistas, promover a qualidade de vida dos munícipes. Promover sinergias, enfrentar desperdícios financeiros. Apoiar a difusão do património no meio escolar, desde a mais tenra idade, ficando desde já a saber-se que dois estabelecimentos de ensino já desenvolvem projetos neste âmbito durante este ano letivo. Eis diálogo de inegável atualidade para uma cidade antiga e sempre renovada. Sugerida, também, a necessária requalificação da baixa de Coimbra como fator essencial de ordenamento da malha urbana e de quem ali trabalha e vive.

Findo o debate, desligados os microfones que ajudaram a registar os sons desta noite vivida numa sala de cadeiras-carmim, foi devolvido o silêncio ao Colégio de S. Tomás, atualmente condomínio de Justiça. Ficou a voz do pensamento de quem ali, noite dentro, foi protagonista de uma modernidade continuada.

Propositadamente este texto não tem vozes dentro ou frases em discurso direto quantas vezes feitas de renúncias de verbos e sujeitos provocadas pela formatação para a massificação da mensagem. Aliás, todos os intervenientes desenvolveram as convicções de cada um para o horizonte assinalado em 2030. É Coimbra que lhes dá ansiedades próximas. A todos. Mesmo os que ficaram em silêncio. ”

Paula Carmo*

 

 

A jornalista Paula Carmo foi assistir ao debate “Património Mundial: Que farei com esta herança?” e respondeu assim ao desafio que lhe lançamos de dizer o que ali se passou. A não perder por quem lá não esteve e  por quem lá esteve.

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