Depoimentos: Paulo Saraiva

 

Porque sou candidato nas listas dos CPC

Numa democracia bissexta, os cidadãos são chamados a intervir por altura das eleições, mas a sua participação nos destinos da coisa pública não é incentivada – sendo mesmo ignorada ou desprezada- no período que medeia entre o dia do sufrágio e o par de meses antes do ato eleitoral. É neste último espaço de tempo que os candidatos à reeleição, ou à alternância rotativa do poder, se lembram de novo das populações que prometeram servir, e fingem que ouvem os seus anseios e as suas queixas relativamente ao país, ao concelho, à freguesia. Surgem então as inaugurações e pompas várias que, à escala autárquica, se manifestam na febre das renovações de asfalto, marcação do pavimento e limpeza dos terrenos mais visíveis.

Em Coimbra, seja no concelho, seja nas freguesias, as coisas não são diferentes: os eleitos governam e atuam como querem, pois que para isso foram escolhidos, e os cidadãos trabalham (ou caem no desemprego…) no seu dia a dia, e, se queixas têm, que sejam descarregadas em inócuas conversas de café. E parece que está tudo bem assim e não podia ser de outra forma, refletindo um sentimento de inevitabilidade (fruto ainda de uma herança salazarista?).  Mas, será que tem de ser assim? Será que, também no poder local, não há espaço para a democracia participativa e tão-só para a democracia representativa (tendente a nem isso ser, à medida que a abstenção cresce, espelhando uma crescente desconfiança face ao poder político)? Será que, por fim, em contexto de crise, teremos de ver a democracia reduzida a um instrumento dos interesses dos poderes económicos e políticos dominantes?

Nos Cidadãos Por Coimbra encontrei cidadãos para quem a atitude conformista perante o legado da alternância rosa-laranja no governo da cidade não é uma opção; cidadãos plenos de ideias, desejosos de ação, individual ou colectiva, mas sempre transformadora; cidadãos possuidores de competências técnicas várias, que permitirão elevar Coimbra ao patamar de desenvolvimento que o concelho merece; cidadãos cultos, que amam a sua cidade e os seus grupos, sejam eles culturais ou desportivos, e que se desgostam quando a vêem governada com desleixo, quando sentem desprezados os seus habitantes; cidadãos que refletem e que gostam de aprender (como os vários debates Coimbra à escuta de… têm mostrado), mas também de discordar, se o seu entendimento for outro, e sem sectarismos; cidadãos que, por fim, têm cultura democrática e a põem em prática. Convictamente, posso com eles afirmar que Coimbra é mesmo a nossa causa!

Os Cidadãos Por Coimbra são, em parte, herdeiros da Associação Pro-Urbe, cuja novidade foi, em 1996, a de que era possível estimular dinâmicas de participação ativa e efetiva dos cidadãos no poder local. Não a substituição do poder local, mas a partilha de decisões que a todos os munícipes interessam. Foi na Pro-Urbe que pela primeira vez ouvi falar em Orçamentos Participativos, processos nos quais as populações contribuem para a tomada de decisão relativamente à aplicação de parte (ou mesmo da totalidade) dos recursos públicos. Entre outras vantagens, os orçamentos participativos fomentam a participação dos cidadãos, através de projetos que realmente respondem às suas necessidades, promovem um maior controlo dos cidadãos sobre os gastos públicos e a transparência dos processos decisórios e, finalmente, contribuem para a reconstrução da desejável confiança mútua entre os cidadãos e as instituições democráticas. É realizável em Portugal? As experiências em curso em diversos municípios portugueses (em Condeixa, aqui mesmo ao lado) dizem-nos que sim!

Citando Boaventura de Sousa Santos, “Utopia é a exploração, através da imaginação, de novas possibilidades humanas de vida coletiva e individual, assente na recusa da necessidade do que existe, só porque existe, em nome de algo radicalmente melhor por que vale a pena lutar e a que a humanidade tem direito.” Mais: “Porque muitos dos nossos sonhos foram reduzidos ao que existe, e o que existe é muitas vezes um pesadelo, ser utópico é a maneira mais consistente de ser realista (…)”. Em Coimbra, no tempo presente, urge transformar ideias inovadoras em realidade.

É agora claro porque apoio e me candidato pelos Cidadãos por Coimbra?

Paulo Saraiva

(Candidato na lista dos CPC à Junta da União das Freguesias de S. Martinho do Bispo e de Ribeira de Frades)

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