17 de Julho, Terreiro da Erva

17 de Julho, Terreiro da ErvaA reabilitação do centro histórico de Coimbra é talvez a prioridade das prioridades de uma estratégia de valorização e desenvolvimento da cidade. Constitui não somente uma necessidade gritante, dada a situação moribunda da Alta e da Baixa, mas, ao mesmo tempo, uma oportunidade que uma política autárquica digna desse nome deve agarrar. A cidade necessita de um centro densificado, habitado, vivo e economicamente dinâmico. Para tal, precisa de soluções de qualidade excepcional na recuperação do edificado e na salvaguarda do património, ao mesmo tempo que exige imensa criatividade na captação e implementação de projectos económicos que dêem vida ao território e o tornem apelativo a novos habitantes. A estas devem juntar-se estratégias que dinamizem o sector habitacional, indispensável a todo o processo.

Há vários anos que políticas erradas têm conduzido à decrepitude do centro histórico: desde opções urbanísticas que promoveram a construção desenfreada nas periferias, em detrimento da recuperação e da habitação no centro – opções que o novo PDM ameaça fazer perdurar – a uma Sociedade de Reabilitação Urbana consumidora de fundos públicos e incapaz, até ao momento, de encontrar soluções satisfatórias e viáveis para a Baixa. Mesmo ao lado da R. da Sofia, hoje declarada património universal da UNESCO, o anterior executivo camarário permitiu a demolição de todo um quarteirão da Baixinha, a pretexto de um Metro de Superfície, que possivelmente jamais se concretizará. Este buraco negro é testemunho do desleixo e da incúria relativas ao centro histórico daqueles que sucessivamente governaram a cidade, preocupados sobretudo com o negócio proveniente do imobiliário e indiferentes ao desmembramento da cidade numa disforme mancha de óleo. A situação do comércio da Baixa reflecte, igualmente, políticas erradas de licenciamento de grandes superfícies e a incapacidade de estimular e promover actividades quer tradicionais quer inovadoras, nomeadamente do sector criativo, que pudessem servir de âncora e alavanca à recuperação económica deste território.
Numa altura em que os sectores imobiliário e da construção atravessam crises profundas, a reabilitação e requalificação do centro histórico pode ou não constituir uma oportunidade de criação de emprego e de valor económico? Que soluções arquitectónicas e financeiras se devem privilegiar para a recuperação com qualidade do edificado e do património da Baixa e da Alta? Deve ou não manter-se a SRU? Como articular esta recuperação com a captação de projectos económicos? Qual a função do sector criativo, em sentido amplo, na requalificação do centro histórico?
É no Terreiro da Erva, espaço emblemático para a discussão destas e de muitas outras questões relativas à reabilitação e requalificação do centro histórico que nos reuniremos no próximo dia 17 de Julho, para mais um debate organizado pelo Movimento Cidadãos por Coimbra.

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