Chegou a nossa hora, meus amigos!

CPC_Abilio_Hernandez[texto da Intervenção de Abílio Hernandez Cardoso, Jornadas Cidadãs, 28 de Abril de 2013]

“Chegou a nossa hora, amigos!

Chegou a hora de afirmar que somos diferentes. E chegou, também, a hora de o demonstrar. Não apenas hoje, nestas Jornadas. Mas hoje e amanhã e depois, até às eleições em que escolheremos o governo da cidade, e depois ainda, e sobretudo, quando assumirmos as responsabilidades que nos hão de caber nesse governo cidadão e participado de Coimbra, nossa cidade e nossa causa.

Nós somos diferentes.

Hoje, neste exercício de cidadania e liberdade que aqui nos reuniu, chegou o momento de dizer – não apenas a quem nos quiser ouvir, mas a quem terá forçosamente que nos ouvir, mesmo que não queira – por que razão estamos aqui, contra que ideias e práticas nos batemos, por que causas lutamos e porque o fazemos juntos e desta maneira diferente.

Hoje, meus amigos, é o primeiro dia do resto das nossas vidas, como diz a canção do Sérgio Godinho. Hoje e não somente quando se iniciar a campanha eleitoral, porque sabemos bem que a democracia está longe de se esgotar nesses breves interregnos que cada vez mais correm o risco de se transformar em pequenos oásis de um imenso e desolador deserto em que ao cidadão comum se pretende reservar a sombra do silêncio, da resignação e da obediência acrítica.

Chegou pois a hora de proclamar:

– Estamos aqui porque recusamos a cartilha ideológica que, sem o mínimo pudor, quer impor como solução para a crise a extorsão dos direitos de quem trabalha e a destruição do emprego, do sistema nacional de saúde, da escola pública e da segurança social, que faria dos portugueses um povo sem abrigo.

– Estamos aqui porque rejeitamos o exercício sistemático da prática dissimulada da indiferenciação, que visa esconder as diferenças onde elas realmente existem, procurando fazer passar por iguais coisas que são diferentes e até opostas: como a competência e a incompetência, o saber e a ignorância, o diálogo e o monólogo, a tolerância e o fanatismo, a verdade e a mentira, a seriedade e a corrupção, o bem e o mal, o mesmo e o outro.

– Estamos aqui porque queremos combater o crescimento contagioso da indiferença: que pode resultar do cansaço, do desencanto ou da descrença, e que numa primeira fase conduz à falta de interesse, à negligência ou à apatia, mas que, num momento ulterior, pode levar – e por vezes leva – à insensibilidade e ao cinismo. A indiferença é tentadora, porque é sempre mais fácil a opção de nos resguardarmos e permanecermos longe da vítima. Mas ficar longe da vítima, desviar o olhar para não querer ver, significa, queiramos ou não, escolher ser cúmplice do agressor contra a vítima, do poderoso contra o fraco.

– Estamos aqui porque denunciamos a política concebida como a tentativa fraudulenta de governar com o número máximo de promessas e o número mínimo de realizações: porque nos opomos aos que prometem construir pontes, quando não existem rios nem ribeiros, ou armam navios, mesmo que o mar seja somente uma miragem. Porque rejeitamos aqueles que são capazes de tudo prometer tudo em nome de um paraíso que gostariam de governar em regime de condomínio fechado e distante do povo que os elegeu.

Estamos aqui porque somos contra a prática política desligada da ética, porque, como alguém escreveu, “Nada pode ser politicamente certo se for moralmente errado.”

Meus amigos, nós somos diferentes.

Não queremos que apenas alguma coisa mude para que tudo fique na mesma. Damos corpo a um projeto que pretende mudar o que for preciso mudar para que Coimbra fique bem diferente e bem melhor do que é hoje, para que a cidade se liberte da mediania triste, da nostalgia bolorenta e do ensimesmamento paralisante a que têm querido condena -la os sucessivos governos municipais, responsáveis pela insistência mórbida em políticas moribundas e nos políticos sem crédito que pateticamente as protagonizam. Mas eles não perceberam ainda que as políticas sem futuro e os políticos do passado estão há muito artificialmente ligados à máquina do tempo. O melhor conforto que posso desejar-lhes é que repousem em paz.

Caros amigos:

Um dos perigos mais graves que a perversão e consequente perda de credibilidade do sistema político podem provocar é o afastamento da prática política e da vida cívica por parte dos cidadãos. Chegou pois a hora de assumir, convictamente, o compromisso de nunca desistirmos da vida cívica e de sempre procurarmos encontrar formas inovadoras e corretas de fazer política. E que ninguém duvide: os Cidadãos por Coimbra cumprirão este compromisso político, este contrato de cidadania, este comprometimento ético de escolher como causa única o bem da cidade e a felicidade das pessoas que a escolhem para viver ou trabalhar. Está em causa o direito à felicidade: de todos nós e dos que hão de vir depois de nós.

Lutaremos por esse direito. Trabalhemos em conjunto para construir a Coimbra com que sonhamos: uma Coimbra moderna, cosmopolita, produtiva, inclusiva, solidária, capaz de fixar os quadros que vai formando e de criar emprego em projetos inovadores e amigos do ambiente, uma Coimbra aberta ao mundo, a cidade que, na nossa carta de apresentação pública, qualificámos como heterogénea e plural, culta e inteligente, justa e amiga, séria e de governação transparente, equilibrada e sustentável, dotada de memória e ousadia.

Bater-nos-emos por um governo autárquico dinâmico, responsável e eticamente irrepreensível, que se responsabilize por uma Coimbra à escala não dos interesses dos grandes negócios e da baixa política, mas uma Coimbra simplesmente à escala humana, a escala dos homens e das mulheres que lhe dão corpo.

Somos diferentes, meus amigos. E chegou a hora.

Nós somos capazes de inventar uma outra cultura política para sonhar o nosso futuro e torna-lo realizável. Vamos fazê-lo em conjunto, de uma forma democrática e participativa. Assumindo em pleno todos os direitos e todos os deveres.

Coimbra é a nossa causa: é a cidade que é nossa, mas é também a cidade a quem nós pertencemos. O nosso chão, o nosso teto, a nossa casa.

Caras cidadãs e caros cidadãos, estamos a cumprir o dever indeclinável de lutar por Coimbra e pelo aprofundamento da Democracia.

Viva Coimbra! Viva a Democracia! Viva Portugal!”

_______________

Abílio Hernandez Cardoso

Mandatário do movimento Cidadãos por Coimbra

Jornadas Cidadãs de 28 de Abril de 2013.

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