Todos por Coimbra, esta é a hora!

antoniorodriguesTodos por Coimbra, esta é a hora!
Sim, eu sei!
Para alguns padecerei de uma das piores máculas destes tempos que são os nossos. Porque, segundo eles, terei tido a “imprudência” de, não há muito tempo, me filiar num partido, no caso, o Bloco de Esquerda.
Para esses, poucos quero crer, estarei contaminado por uma qualquer maleita que os leva a assumirem uma atitude de segregacionismo evocadora daquela com que, em tempos remotos, se contemplavam leprosos, tuberculosos, hereges… e, mais recentemente, ciganos, judeus, árabes, mulheres, homossexuais, sei lá…
Contudo, civicamente, de que poderei ser acusado?
De ser um ativista das grandes causas da humanidade, que a insanidade dominante no tempo presente se encarrega de colocar cada vez mais em desuso? As causas da liberdade, da igualdade, da fraternidade?
De lutar por uma democracia plena – que não exclusivamente a das liberdades formais -, mas também a dos direitos económicos e sociais para todos? Da que coloca a vertente representativa e parlamentar em equilíbrio com a democracia participativa? Da que defende que cada cidadão é verdadeiramente um cidadão, não havendo lugar a discriminações ou exclusões?
Por isso ousei, nos “tempos difíceis”, ainda imberbe, iniciar-me na vida coletiva desse referencial coimbrão na luta contra a ditadura, que foi o Ateneu de Coimbra. Já na Universidade, lutar pela reabertura da AAC, então encerrada pela PIDE/DGS e, mais tarde, no trabalho cultural dum dos seus Organismos Autónomos – o GEFAC. E, com a revolução democrática, como dirigente eleito da Direção Geral da AAC.
Não sem que, antes do 25 de Abril, tivesse deixado de engrossar as fileiras da Oposição Democrática quando, em 1973, foi lançada a campanha “Por um Recenseamento Eleitoral Democrático” ou na preparação do Congresso da Oposição Democrática de Aveiro, também em 1973.
Em unidade com tantos democratas e antifascistas, fossem eles cristão, ateus, socialistas, comunistas, ou tão simplesmente cidadãos inconformados que ousavam lutar pelo fim da ditadura e pela instauração da democracia em Portugal.
Militante do PCP desde os primeiros dias da democracia, abandonei-o por volta de 2000. Sem rancores ou ressentimentos. Razões? O entendimento de que a luta pelos ideais do progresso social e pelo aprofundamento da democracia obrigavam a inexploradas aberturas à esquerda, à criação de novos diálogos com novos atores, à construção de novas plataformas, sem lugar a exclusões ou preconceitos. Desde que apontadas ao progresso social, ao reforço da Democracia plena, à salvaguarda das “conquistas de Abril”.
Como profissional – médico – engajei-me na construção, aprofundamento e defesa do Serviço Nacional de Saúde. Dessas atividades recordo a participação no executivo de Santana Maia que promoveu a democratização da Ordem dos Médicos, ou a atividade na Associação Portuguesa dos Médicos de Família, apontada ao erigir duma medicina familiar e de cuidados primários de saúde que se constituíssem como referenciais de uma melhor saúde para os todos portugueses. Mas também como membro da Unidade de Missão para os Cuidados de Saúde Primários que promoveu um dos mais relevantes avanços recentes no nosso sistema de saúde – o lançamento das Unidades de Saúde Familiar.
Sempre em coletivos diversos e plurais.
Mais recentemente, e já como membro do BE, foi a campanha presidencial de Manuel Alegre. E o Congresso das Alternativas. E a Auditoria Cidadã à Dívida. E a participação em pontos altos de afirmação da cidadania: foi o 15 de setembro, foi o 2 de março…
Sempre e sempre em unidade. Na busca do alargamento dessa unidade. Tornando-a efetiva, porque atuante. Cultivando a diversidade e a pluralidade, fontes inestimáveis da criação dessas novas plataformas, passos necessários para novas conquistas…
Daí que, naturalmente, tenha aderido, logo desde a primeira hora, ao movimento “Cidadãos por Coimbra”.
E que melhor espaço para me (re)encontrar com tantas e tantos com quem ao longo de todos estes anos, mesmo que com trajetos diversos, mesmo que nem sempre em convergência, se empenharam no contrariar da degenerescência democrática em que hoje nos encontramos mergulhados? Mas também com muitos, muitos mais, todos aqueles que agora aparecem de novo.
Com todos os aderentes a este Movimento, sem exceção, só posso partilhar as únicas coisas que julgo saber dar: a vontade, a lealdade e a fraternidade. Sem lugar a qualquer propósito ou ambição pessoal.
Aos partidos e aos seus militantes, a ativistas de outras organizações ou grupos, a cada cidadão livremente aderente a este movimento só irei exigir o que de mim próprio exijo: a lealdade. E quero anunciar que, quando esta possa ser colocada em causa – o que sei que não virá a acontecer –, saberei manter-me intransigente na denúncia necessária.
A todos os que agora agarram esta luta pela qualificação da nossa cidade e da nossa democracia, sei-o, unem-nos os princípios, a ética, as práticas…
A maioria são cidadãos independentes?
Alguns são ou foram militantes partidários?
E isso, o que interessa?
A unidade constrói-se no respeito pela pluralidade e pela inclusão.
Nunca pela unicidade e pela exclusão.
Por isso afirmo:
Todos por Coimbra, esta é a hora!
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